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domingo, 21 de agosto de 2011

Anticoncepcional não dificulta gravidez ?

Muitas vezes, as mulheres possuem infertilidade antes mesmo de tomarem a pílula

Com certeza, você tem uma amiga ou conhece uma mulher que atribui ao uso da pílula anticoncepcional a dificuldade para engravidar. Um estudo recente, publicado na revista científica Fertility and Sterility, esclarece o "mito": os contraceptivos orais não influenciam na fertilidade feminina.

A crença de que a pílula interfere na fertilidade vem do fato de que, ao tentar engravidar, depois de interromper o uso dos contraceptivos, muitas mulheres não conseguem e colocam a culpa nos anos de tratamento com o medicamento. Mas isso não é verdade.

Muitas mulheres realmente têm problemas de infertilidade e só vão descobrir o fato quando param de tomar a pílula. Estes problemas não têm nada a ver com a pílula.
Depois de parar com a pílula, o corpo da mulher demora alguns meses para ser acostumar com a nova situação

Se o problema da infertilidade for investigado e descartado, a mulher pode ter, inicialmente uma certa dificuldade para engravidar. O que é normal e revertido em pouco tempo, após a interrupção do uso do remédio.

Depois de parar com a pílula, o corpo da mulher demora alguns meses para ser acostumar com a nova situação. O ovário precisa voltar a funcionar, o que pode levar de 1 a 3 meses, em média, quando há uma reorganização do ciclo menstrual da mulher. 

E se a gravidez não vier?
Com a interrupção do uso da pílula anticoncepcional, a gravidez deve vir naturalmente em até um ano. Se após doze meses tentando engravidar naturalmente, o casal não obtiver sucesso, é necessário realizar uma avaliação médica conjunta. Um urologista e um ginecologista deverão ser procurados, ao mesmo tempo, para a realização de exames físicos no homem e na mulher.

Se após a realização dos exames de praxe nenhum sinal de infertilidade for diagnosticado, o casal é orientado a praticar o sexo programado. Diante do arsenal terapêutico oferecido pela reprodução assistida, o coito programado é a técnica menos arrojada, menos tecnológica, mas é exatamente a partir deste ponto que devemos começar a investigar e a tratar a infertilidade. 

O tratamento consiste em acompanhar o ciclo menstrual da mulher, monitorando a ovulação por meio de exames de ultra-som seriados e dosagens dos níveis de hormônios no sangue e na urina. Em alguns casos, o ginecologista pode estimular os ovários com medicamentos. O objetivo é aumentar a precisão do dia fértil.

Para aumentar as chances de gravidez, o casal deve manter relações sexuais em dias alternados, a partir do primeiro dia da ovulação. Se ela for induzida, o medicamento leva entre 36 e 48 horas para agir. Isso significa que, quando aplicado pela manhã, o ideal é que o encontro sexual aconteça à tarde e na noite do dia seguinte. Não existe, portanto, uma hora exata para engravidar e, sim, o dia exato. Basta que, à medida do possível, o médico ajuste o coito programado ao cotidiano do casal.

Dr Aléssio Calil Mathias
Especialidade: Ginecologia e obstetrícia

Uso prolongado de anticoncepcional dificulta a gravidez?

Você já ouviu até em conversa de banheiro que tomar pílula anticoncepcional por um tempo prolongado dificulta a mulher a engravidar. Sua mãe, sua tia, até sua avó já cansaram de condenar a cartela que vira-e-mexe elas acham na sua bolsa. Mas, será mesmo que depois de anos tomando as pílulas diárias você terá dificuldades para engravidar?


"Acreditar que a mulher possa ter dificuldades em engravidar por tomar pílula anticoncepcional por um tempo prolongado é um mito", comenta a ginecologista Ceci Mendes Carvalho Lopes. Ela conta ainda que esse receio é incutido na cabeça da mulher como um castigo pessoal. "Fica aquele sentimento de 'serei castigada por Deus'."

Formulada à base de hormônios sintéticos, a pílula anticoncepcional mais utilizada é composta de estrogênio e progesterona. "O estrogênio impede a liberação do hormônio responsável pelo crescimento e amadurecimento do óvulo. Já o progesterona bloqueia a ovulação propriamente dita", explica o ginecologista Marcello Valle.

Por serem bastantes similares aos hormônios naturais da mulher, o estrogênio e a progesterona da pílula anticoncepcional dificilmente podem trazer algum problema futuro à gravidez da mulher. "Estudos mostram que não há evidência de que a infertilidade seja aumentada pelo uso da contracepção oral por qualquer período de tempo. Também não é necessário que se faça as pausas entre as cartelas. O retorno aos ciclos ovulatórios se dá já no primeiro mês após a interrupção do tratamento", explica Valle.

Mulheres que passam anos tomando pílula sem nunca terem tentado engravidar podem não ter conhecimento de sua condição fértil. "É muito freqüente que uma mulher que nunca tenha testado sua fertilidade, descubra que tem um problema quando resolve tentar engravidar", comenta Ceci.

Outro dado importante é que a taxa de fertilidade da mulher decresce com o passar dos anos. Então, se você pensa em protelar a gravidez para depois que sua carreira estiver estabilizada, tenha a consciência de que já não vai ser mais tão simples engravidar como o era quando você tinha lá seus 20 anos.

Os médicos relembram ainda que alguns métodos anticoncepcionais, ao contrário das pílulas tradicionais, exigem um pouco mais de tempo para a readaptação do organismo feminino. "Os contraceptivos injetáveis de depósito podem dificultar, uma vez que o hormônio permanece circulante no organismo da mulher por um longo período", finaliza Valle.

Serviço
Ceci Mendes Carvalho Lopes - ginecologista
www.usp.br

Marcelo Valle - ginecologista
www.origen.com.br
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