
Quem
já não teve aquela sensação estranha de que não tem a menor ideia do
que fazer com o bebê uma vez que ele esteja bem alimentado, limpinho e
descansado! Tudo bem, o básico de manter um recém-nascido vivo até que
foi aprendido, mas o que fazer agora com aquele serzinho que fica com o
olhar meio perdido e não demonstra ainda nenhum interesse em nossos
esforços de cantar ou balançar brinquedos? E que, só para quebrar a
monotonia, de vez em quando solta um choro bem sentido?
É certo que bebês pequenos interagem
pouco, mas isso não quer dizer que brincar com eles não seja
importante. Desde o primeiro dia em casa, seu filho vai estar ligado em
tudo que acontece a seu redor, mesmo que não pareça. Conexões estão
sendo feitas no cérebro dele e informações, decodificadas e
categorizadas o tempo todo.
As brincadeiras servem para encaixar
tudo isso como se fosse um quebra-cabeça e serão fundamentais para o
desenvolvimento social, emocional, físico e cognitivo do seu filho à
medida que ele crescer.
As interações têm também a vantagem de
aproximar pais e filhos e de tornar os momentos que passam juntos mais
prazerosos. Vale lembrar ainda: quanto mais ele ri, menos chora!
Outra coisa importante para ter em mente
é que repetição é a chave do sucesso. Muitas brincadeiras não surtirão
efeito algum da primeira vez que você tentar, porém, se insistir, o
bebê vai acabar dando risada só de perceber que você pegou um
determinado brinquedo.
O nível de atenção varia bastante,
dependendo da idade da criança, do temperamento e até do humor do
momento. Às vezes ele vai ficar envolvido em uma atividade por até 20
minutos, mas o mais comum é que a brincadeira precise mudar a cada
cinco minutos, mais ou menos.
Você perceberá que ele está entretido se
ficar virado para você, sorrindo, gargalhando ou dando aqueles
gritinhos de alegria. Quando começar a se virar para o outro lado,
chorar ou mostrar sinais de impaciência, é hora de algo novo.
Alguns bebês ficam excitados além da
conta com mais facilidade, por isso se o seu começar a chorar durante a
brincadeira, não se decepcione. Pense em atividades mais tranquilas,
como contar histórias, ouvir música ou até um intervalinho para uma
mamada ou uma volta de carrinho.
Saiba ainda que nem toda criança vai
gostar de uma brincadeira só porque é apropriada para a sua idade. Não
deixe que esse tipo de coisa suscite aqueles pensamentos “Nossa, meu
filho não está tentando pegar o bloquinho como deveria, então deve ter
algo errado com ele!”. Provavelmente não há.
É muito comum que uma criança demore
mais que as outras para alcançar um determinado marco de desenvolvimento
e seja mais rápida em outro. Dito isso, é claro que, se você realmente
suspeitar de algum atraso, confie nos seus instintos e não deixe de
mencionar para o pediatra na próxima consulta.
Recém-nascido a 3 meses
Para muitos pais e mães de primeira
viagem, um recém-nascido pode até parecer nada mais que uma máquina de
fazer cocô e de chorar. No máximo, uma criaturinha que passa a maior
parte do tempo deitada inerte. Então não tem jeito mesmo de se conectar
a esse ser e até se divertir com ele?
Tem sim. A melhor estratégia para isso é
aguçar os sentidos do seu filho: através do toque, da visão (lembrando
que ele ainda não enxerga muito bem), do olfato e da audição. O paladar
fica para um pouco mais tarde, quando a variedade de sabores entrar na
vida dele.
Observação: Seja paciente e contenha suas expectativas, porque poderá levar um tempinho para o bebê responder a seus estímulos, se
responder. O máximo que você pode fazer é continuar tentando ou esperar
para que ele esteja um pouco mais acordado para querer brincar.
Naquele finalzinho de tarde melancólico,
em que ele invariavelmente abre o berreiro, sempre na mesma hora, como
se fosse relógio, experimente colocar uma música bem gostosa (só não
exagere nas batidas e no volume), segurá-lo nos seus braços e dançar
juntinho pela casa.
Vá com calma e comece com movimentos
mais suaves, não se esquecendo de apoiar o pescoço do neném e de não
sacudi-lo. Quando seus braços cansarem, deite o bebê de modo que possa
acompanhar você e mantenha os passos.
Movimentos exagerados e engraçados, como
rebolar ou balançar braços para cima e para baixo, são especialmente
cativantes para crianças pequenas.
A maior parte das brincadeiras desta
fase consiste em mostrar coisas para o seu filho. Vale qualquer objeto
da casa que não corte, queime ou possa ser engolido. Bebês adoram
colheres, espátulas, tampas, embalagens de margarina ou xampu vazias e
lavadas, almofadas aveludadas, caixinhas de presente e paninhos.
Tenha uma “caixa secreta” de itens
interessantes por perto para, de repente, tirar alguma surpresa de lá
como se fosse mágica. Segure o objeto a cerca de 30 centímetros de
distância do bebê e encare-o com encantamento para mostrar como isso
funciona para seu filho. “Nossa, olha que incrível como essa caixa abre
e fecha!”.
No que diz respeito a livros, não espere
que uma criança tão pequena realmente entenda do que se tratam. Mas o
ritmo da sua voz e a sua companhia, além de estímulos visuais, costumam
ser apreciados pelos pequenininhos. Você vai saber se ele está
gostando da atividade se ficar atento e quietinho enquanto você vira
páginas e aponta para formas e ilustrações coloridas.
Os bebês não costumam prestar atenção
por muito tempo e quando ficam um pouco mais velhos começam a pegar os
livros da sua mão e fechá-los. Não estranhe, porque isso faz parte do
desenvolvimento. O que conta para eles é a interação com você, não a
história em si.
- O que é isso em cima da minha cabeça?
Você logo vai perceber como dá para se
divertir achando tesouros na sua própria casa, sem ter que sair por aí
gastando dinheiro. Veja a seguir três ideias para começar:
• amarre ou cole fitas ou tecido em uma colher de pau e suavemente passe por cima e na frente do rosto do bebê.
• pegue um lenço mais sedoso e balance-o pelo ar, deixando-o pousar na cabeça do bebê.
• enrole um brinquedo pequeno em um
daqueles elásticos mais molinhos e lance-o para baixo e de volta às
suas mãos, como se fosse ioiô, falando “Boing! Boing!” toda vez que
descer.
Observação: Nunca deixe uma criança sozinha com fitas e laços, porque eles podem facilmente ficar enrolados no pescoço ou ser colocados na boca.
A sua voz é um susto? Não tem o menor
problema, porque seu filho não sabe disso e tudo que sai da sua boca é
música para os ouvidos dele.
Caso ainda não tenha feito isso, é hora
de reaprender alguns clássicos do repertório infantil, como “Boi, boi,
boi, boi da cara preta…”, “Ciranda, cirandinha…”, “Como pode um peixe
vivo viver fora…”, “A canoa virou…” e “A dona aranha subiu pela
parede…”. Se não conseguir se lembrar das letras, faça uma busca na
Internet.
Procure fazer vozes diferentes, mudar o
tom, cantar mais baixinho e, de repente, mais alto, incluir o nome do
bebê na música. Acrescente objetos ao número musical, como um fantoche
ou até uma meia colocada em cima da sua mão fechada.
Pode ser que a princípio tudo pareça
meio bobo, mas, à medida que você perceber o quanto seu filho gosta de
ouvir você cantar, isso passa. A verdade é: acostume-se a cantar,
porque a música tende a ser parte essencial da infância e do
aprendizado das crianças.
Texto: Joyce Lollar